quinta-feira, 9 de setembro de 2010

A QUEM CABE ADMINISTRAR O CAOS?

Estudantes, professores e Administração Superior
reunidos no Ministério Publico Federal no Acre.
Após três horas de reunião, entre a Administração Superior, estudantes e professores representantes do Centro de Educação, Letras e Artes – Cela, ficou muito claro ao Ministério Público Federal no Acre - MPF/AC, que a situação da nossa Ufac está um “caos” e, da parte da Administração da Universidade, para a surpresa geral, não há soluções que se apresentem de maneira efetiva nem em curto, nem em médio, nem em longo prazo.
De um lado, os estudantes questionaram os principais problemas que os afetam: falta de professores, cobrança de taxas na biblioteca, entradas constantes da polícia militar no campus, falta de pessoal e equipamento nos laboratórios, blocos de salas de aula com condições plenas de ensino, além da burocracia interna que tem gerado acúmulos de processos administrativos que quase nunca são respondidos.
Do lado dos professores do Cela, a exigência de que se faça cumprir a legalidade dentro da instituição: respeito à autonomia universitária e às instâncias colegiadas. Em outros termos: cabe às assembléias de centros definirem o perfil dos candidatos, bem como as áreas prioritárias para contratação de professores. A administração Superior, através da Pró-Reitoria de Graduação decidiu, à revelia do Cela, do Estatuto da Ufac e da Lei de Diretrizes e Bases, as áreas prioritárias bem como os perfis dos candidatos a cargo de professor na Ufac, num mais completo desrespeito aos professores desse centro. Expliquemos: os colegiados, as assembléias de centros e o conselho universitário, são instâncias deliberativas. A reitoria e adjacências são órgãos executivos, não podem deliberar sobre os rumos da Universidade. Para nós discentes, essa celeuma é muito grave, pois acabamos de passar por um processo de eleição direta para representantes discentes no conselho universitário e, se as decisões desse conselho não forem respeitadas pela reitoria, à exemplo do que ocorre com a assembléia do Cela, de que adianta um Estatuto, uma lei, um órgão deliberativo, se o executivo resolve  “tratorar” as decisões desses órgãos? É a barbárie completa, a ausência de regras, de ordem.
Tendo em vista essas questões, não é muito difícil entender porque a situação administrativa na Ufac degringolou no mandato na Professora Olinda e do Professor Pascoal (por sinal, alguém sabe dele?). Se a própria Administração Superior julga-se acima da legislação interna e externa à Ufac, o que mais se pode esperar? A pergunta que fica é: a quem cabe administrar o “caos”?
Por fim, o que a Administração Superior teve a dizer sobre o exposto acima? Bom, primeiro a reitora começou dizendo que tudo o que foi dito ali pelos professores do Cela eram afirmações infundadas e que ela tinha documento para provar. Então o Pró-reitor de Graduação, tentando se defender, fez uso de “termos” que agrediram a todos os presentes, tipo: “fora esse grupo aqui, existem professores de bem e respeitáveis no Cela”. Foi com esse espírito conciliador que os administradores da Ufac foram para a reunião.
Quanto às questões dos estudantes, a reitora admitiu que a taxa de R$ 1.00 a ser cobrada por dia de atraso na Biblioteca da Ufac já foi aprovada no Conselho Diretor da Ufac e falta apenas a resolução interna para normatizá-la. O procurador disse que irá apurar a legalidade desse fato. No que diz respeito à ausência de professores em sala de aula, a reitoria está estudando "alternativas": enxugar as cargas horárias dos cursos ou colocar os professores para darem aulas nas férias, como forma de repor as disciplinas não ocorridas no período regular. Vê se pode? Nós pensávamos que a discussão que envolve reformulação de projeto político pedagógico de curso deveria ter como pano de fundo o cumprimento da legislação, a necessidade local de profissionais na área, competência técnica, comprometimento social, enfim. Não se pode querer reformular cursos, ou melhor “enxugar” a carga horária desses cursos baseado no fato de que não tem professor! Quanto a querer colocar os professores para darem aula nas férias, isso não tem nem como comentar. Nem após uma greve de cinco meses no ano de 2005 isso ocorreu, imaginem agora. Aliás, qual estudante que vai querer ter aulas nas férias?
Este foi o resumo do que foi a reunião. Fora o fato de que a reitoria planeja a vida dos professores com base no nada, ou seja, ela não tem o controle de quantos professores estão exercendo a função devidamente hoje na Ufac, nada mais de interessante foi dito.
Cremos que essa reunião serviu para legitimar a proposta de paralisação conjunta entre professores, estudantes e técnicos-administrativos, agendada para o dia 15 de setembro. Vamos dar um basta nessa postura da administração que apenas diz que “não sabe o que ocorre nos cursos da Ufac”!
Juntem-se a nós, escrevam cartas abertas sobre os problemas de seus cursos e colem nos murais, dia 15 setembro. Pelo direito à indignação! Em defesa da Universidade! Uma outra Ufac é possível!

MOBILIZAÇÃO: Amanhã, 10 de setembro, às 17:00 horas, vamos pintar faixas em frente à sede da Adufac. Nos vemos lá!!


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